terça-feira, 26 de outubro de 2010

Valorize cada instante da sua vida!

Já dizia Mário Faustino "O tempo, na verdade, tem domínio". Logo, temos que fazer sempre o melhor de cada momento. No cenário musical, temos a Pitty, que por meio de seu hard rock e de suas letras instigantes, nos faz pensar, sentir o mundo com mais poeticidade. "Semana que vem" nos remete à fugacidade das coisas, que de tão velozes que são, passam e nem sentimos. O que deixamos escapar: não volta. Só vale, daqui pra frente, aproveitar o dia, o minuto, o segundo, Carpe Diem! "Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem, semana que vem: pode nem chegar!". Veja o clip no you tube!

domingo, 29 de agosto de 2010

A história de uma gata




Nunca gostei de gatos. Pensava que eles eram uns tremendos aproveitadores, bonachões, interesseiros, que só queriam de nós, humanos, um lugar quente pra morar, comida e carinhos. Aristocráticos e indiferentes, os gatos escolhem seus donos e não se deixam adestrar. Tudo isso não passava de preconceito e falta de convívio com os felinos. Até aí, jamais imaginei criar esse tipo de criatura.



Porém, para além dos preconceitos, estão as circunstâncias que a vida nos apresenta. No dia 22 de janeiro de 2010, era quase meio-dia, um meio-dia diferente. Formava-se no céu uma tempestade e a ventania era tão forte que atrapalhava o caminhar. Ouvi um som estranho vindo da rua, parecia choro de bebê. Fiquei intrigada com aquilo. Fui ver o que era e quando abri o portão de casa, eis que surge uma pequena criatura, molhada, chorona, feia, negra, magra. Ao me ver, aquele ser pequenino correu em minha direção, como quem diz: “me ajuda, isto é o fim do mundo”. Já chovia forte, ventania, trovões, peguei a bichana, coloquei-a em meus braços e levei pra dentro de casa. E agora? O que fazer? Vou enxugá-la e dar comida... mas é pequena, deve beber leite. Preparei um leite e ela bebeu tudo. Estava tão fatigada, que logo dormiu. Minha filha adorou. Meu marido reclamou. Mas ela foi ficando e conquistou a todos. É a gata mais cachorra que já vi: alegre, brincalhona, companheira e dengosa. Seu nome é Ságua, apelidos... são tantos! Dizem que se mede o amor pela quantidade de apelidos que o casal chama um ao outro. Acho que isso também vale para os bichinhos de estimação. Chaninho, gatuta, porcaria da rua, erlang (demônio em mongol), pois era muito feia, quando chegou. Ságua engordou, ficou bonita e os gatos das redondezas já estão de olho. Às vezes, ela some, passeia pela rua, mas sempre volta. Uma vez se perdeu, quando ainda era pequena, e sumiu por três dias, até anúncio na rádio da cidade fizemos. Ela é preta, tem mancha branca no pescoço, no peito e na região pélvica. Digo que ela usa biquíni e colar. Aprendi a cuidar dela e amá-la. A lição disso tudo: não se deve excluir, sem conhecer. Afinal, ganhei uma companheira afetuosa e muito fiel. Sei que não posso tirar todos os gatinhos abandonados da rua, mas quando tirei a Ságua daquele abandono, mudei o destino dela e não perdi nada com isso, só ganhei. Quando a acolhi, promovi um toque em toda a espécie felina com um simples gesto de humanidade. Pra ela fez toda diferença e, pode ter certeza, pra mim também.



Tatiane Vidal





domingo, 4 de julho de 2010

Girândolas, um livro de Daniel Leite: é ler para sentir!

Há um saber que os dicionários guardam. Girândolas: “círculos ou travessões onde são colocados fogos de artifício que, depois de acesos, sobem e estouram ao mesmo tempo”. Esse é um saber, um olhar. Entretanto não foi sobre essas Girândolas que uma história veio à luz. Para os nossos olhos e para a ternura de um mundo, Girândolas são aquelas cruzes de braço duplo nas quais os artesãos de Abaetetuba fincam o universo belíssimo dos brinquedos de miriti. Girândolas que vemos suspensas e andantes pelo mar de gente durante a época do Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
Para contar essa história foi preciso andar pela “rua do rio” das nossas vidas, que vai-e-vem de Belém até Abaetetuba. Uma Abaeté iluminada por sua gente, por suas várias lutas, muito trabalho e sempre esperança; uma Belém das Mangueiras que se entrelaçam no céu e se escrevem túnel à guisa de um telhado verde de águas, uma Belém erguida pelas pessoas e por seus sonhos.
Para contar essa história foi preciso reescrever o verbo Amar dos amores que não se cumprem, mas que nos fazem viver. Tobias e Maria. Ele, fazedor de brinquedos de miriti. Ela, benzedeira, que sabe dos segredos das formigas de chuva. Para contar essa história foi preciso olhar para o rio. Ouvir as águas, as suas gentes. Viver uma preamar. Em algum instante, em algum lugar, estava escrito: ser o rio é ir ao encontro.
Daniel Leite
“O que há pregado nas girândolas de miriti são vidas dos artesãos que desejam ser reconhecidos pelo outro, sob a forma do amor. Creio que cada brinquedo de miriti é um querer ser para o outro, e através do outro. Eu, que nasci em Abaetetuba, sei disso. E Daniel Leite, também. Uma forma de amor que não se revela pelo dizer, mas pelo ser. Pelo sentir, como em Maria e Tobias. O amor, esse emaranhar-se nos fios indizíveis de uma prisão libertadora, que não se verbaliza. Mas faz viver.”
João de Jesus Paes Loureiro
“O autor escreveu outra história dentro de sua história. Uma história de vida – pesada como os tijolos de olaria e leve como os brinquedos de miriti nas mãos das crianças. O leitor que ainda não visitou a mauritiosa cidade, ao virar das páginas deste Girândolas, vai sentir vontade de banhar-se naqueles rios. Já o leitor que alguma vez deitou-se nas águas do Maratauíra sentirá úmidas saudades. Agora, aquele que nasceu e cresceu em uma das pequenas ilhas sem nome de Abaetetuba, ao ler este livro, vai embarcar solidário na canoa das dores de Tobias. Vai pedir aos deuses que olhem por Maria.”
Paulo Vieira

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Leia Marta Medeiros, ela é incrível!

O mulherão


Peça para um homem descrever um mulherão. Ele imediatamente vai falar do tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos. Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira,1,80m, siliconada, sorriso colgate. Mulherões, dentro deste conceito, não existem muitas: Vera Fischer, Leticia Spiller, Malu Mader, Adriane Galisteu, Lumas e Brunas. Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma a cada esquina.

Mulherão é aquela que pega dois ônibus por dia para ir ao trabalho e mais dois para voltar, e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matricula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de 100 Reais.
Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, e uma família todos os dias da semana. Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista. Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos para a natação, busca os filhos na natação, leva os filhos para a cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz. Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite.
Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava roupa pra fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão. Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa, TPM, menstruação. Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios. Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia.

LUMAS,BRUNAS,CARLAS,LUANAS E SHEILAS: Mulheres nota dez no quisito lindas de morrer, mas MULHERÃO É QUEM MATA UM LEÃO POR DIA.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Momento poético!

O viajante que sou

para Adma Fernanda

melhor do que a chegada
é ir sem rumo
bússolas pesam na bagagem
vago pelo prazer do inesperado, do insólito
prefiro assim
meu coração vagabundeando
sem pouso, nem direções
o desassossego é meu guia


Tatiane Vidal

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poemas de Walt Whitman


WALT WHITMAN
( 1819 - 1892 )







O Próprio Ser Eu Canto

O próprio ser eu canto:
Canto a pessoa em si, em separado
embora use a palavra Democracia
e a expressão Massa.

Eu canto o Corpo
Da cabeça aos pés:
Nem só o cérebro
Nem só a fisionomia
Tem valor para a Musa
digo que a forma completa
é muito mais valiosa,
e tanto a Fêmea quanto o Macho
eu canto.

A vida plena de paixão,
Força e pulsam,
Preparada para as ações mais livres
Com suas leis divinas
- o Homem Moderno
eu canto.

*


NÃO ME FECHEM AS PORTAS

Não me fechem as portas, orgulhosas
Bibliotecas,
Pois justamente o que estava faltando
Em tuas prateleiras apinhadas,
É o que venho trazer
-mal acabando de sair da guerra,
um livro escrevi:
pelas palavras do meu livro, nada;
pelas intenções, tudo !
Um livro à margem,
Sem nada a ver com os restantes,
E que não pode ser sentido só
Com o intelecto.
Vocês, porém, com seus silêncios latentes,
A cada página hão de estremecer
Maravilhadas.

*
POETAS DE AMANHÃ

Poetas de amanhã: arautos, músicos,
cantores de amanhã !
Não é dia de eu me justificar
E dizer ao que vim;
Mas vocês, de uma nova geração,
Atlética, telúrica, nativa,
Maior que qualquer outra conhecida antes
- levantem-se: pois têm de me justificar !

Eu mesmo faço apenas escrever
Uma ou duas palavras
Indicando o futuro;
Faço tocar a roda para frente
Apenas um momento
E volto para a sombra
Correndo

Eu sou um homem que, vagando
A esmo, sem de todo parar,
Casualmente passa a vista por vocês
E logo desvia o rosto,
Deixando assim por conta de vocês
Conceituá-lo e aprová-lo,
A esperar de vocês
As coisas mais importantes.

*
Às vezes com a pessoa a quem amo

Às vezes com a pessoa a quem amo
Fico cheio de raiva
Por medo de estar só eu dando amor
Sem ser retribuído;
Agora eu penso que não pode haver amor
Sem retribuição, que a paga é certa
De uma forma ou de outra.
(Amei certa pessoa ardentemente
e meu amor não foi correspondido,
mas foi daí que tirei estes cantos.)

*

Máquina Alguma de Poupar Trabalho

Máquina alguma de poupar trabalho
Eu fiz, nada inventei,
Nem sou capaz de deixar para trás
Nenhum risco donativo
Para fundar hospital ou biblioteca,
Reminiscência alguma
De um ato de bravura pela América,
Nenhum sucesso literário ou intelectual,
Nem mesmo um livro bom para as estantes
- apenas uns poucos canto
vibrando no ar eu deixo
aos camaradas e amantes.


*

A BASE DE TODA METAFÍSICA

E agora, cavalheiros, eu lhes deixo
Uma palavra
Para ficar nas mentes de vocês
E nas suas memórias
Como princípio e também como fim
De toda metafísica.

(Tal qual professor aos estudantes
ao encerrar seu curso repleto.)

Tendo estudado antigos e modernos,
Sistemas dos gregos e dos germânicos,
Tendo estudo e situado Kant,
Fiche , Hegel,
Situado a doutrina de Platão,
E outros ainda superiores a Secretas
Buscando pesquisar e situar,
Tendo estudado bastante o divino Cristo,
Eu vejo hoje reminiscências daqueles
Sistemas grego e germânico,
Deparo todas as filosofias,
Templos, dogmas cristãos encontro,
E mesmo sem chegar a Secretas eu vejo
com absoluta clareza,
e sem chegar ao divino Cristo,
eu vejo
o puro amor do homem por seu camarada,
a atração de um amigo pelo amigo,
de uma mulher pelo marido e vice-versa
quando bem conjugados,
de filhos pelos pais, de uma cidade
por outras, de uma terra
por outra.

*

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Poemas de Walt Whitman
Trad.: Eduardo Francisco Alves
Geir Campos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

CINEMA E ARTE


Assisti AVATAR, semana passada, e trata-se de uma obra-prima de riqueza inigualável. O filme nos remete às narrativas míticas tradicionais pela estrutura do texto. A fotografia é belíssima, com tudo que a tecnologia tem de melhor. A temática é atual e urgente. Temos que lutar pelo nosso planeta e mudar esse paradigma de exploração absurda que o ser humano promove por onde passa. A conexão entre os seres, que ocorre no filme, é algo que fazemos no dia-a-dia nas relações que estabelecemos com as pessoas e com os seres vivos que estão a nossa volta. Tudo está em conexão, se emanarmos respeito, amor, confiança será isso tudo que iremos receber. É inevitável a lei da ação e reação. Quem ainda não assistiu ao filme, deve assistir e fazer suas reflexões, isso que escrevi é sobre uma pequena fração do filme, entre tantas outras que podem ser exploradas.